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Estoque e compras

LIFO: o que é, como funciona e quando aplicar

  • Publicado em 09/08/2024 • Atualizado em 05/08/2026
  • Por Sanon Matias
LIFO: o que é, como funciona e quando aplicar
  • O que é LIFO?
  • Como funciona o cálculo do LIFO na prática?
  • O LIFO é permitido para fins fiscais no Brasil?
  • Qual a diferença entre LIFO e FIFO (PEPS)?
  • Quando usar o LIFO na gestão de estoque?
  • LIFO como sistema de armazenagem física
  • Quais os benefícios reais do LIFO?
  • Como aplicar o LIFO com tecnologia?
  • Conclusão
  • FAQ
Tempo de leitura: 10 min

LIFO (UEPS) é o método de estoque que considera vendidos primeiro os itens mais recentes comprados. Impacta o custo da mercadoria vendida e o lucro apurado, mas não é aceito para fins fiscais no Brasil, apenas para controle gerencial interno.

Se a sua empresa está decidindo como valorizar o estoque, o LIFO pode parecer atraente em período de alta de preços: como ele atribui às vendas o custo dos itens comprados mais recentemente, o lucro apurado no papel fica menor.

Essa vantagem não existe no Brasil. A Receita Federal não aceita o LIFO para apurar o Imposto de Renda nem a CSLL, então decidir usar esse critério pensando em pagar menos imposto significa calcular em cima de uma regra que não vale para a legislação brasileira.

O LIFO ainda tem uso real dentro da empresa, mas separado da parte fiscal: como ferramenta de análise gerencial, ele ajuda a entender o custo de reposição mais recente de um item, sem entrar na apuração oficial do lucro tributável.

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O que é LIFO?

LIFO é a sigla de Last In, First Out (último a entrar, primeiro a sair), conhecida no Brasil pelo nome traduzido UEPS.

É um critério de avaliação de estoque que assume que os últimos itens comprados são os primeiros a sair, seja fisicamente ou apenas para fins de cálculo contábil.

texto explicando o que é LIFO de forma clara e objetiva.

Para entender como esse critério muda o resultado da empresa na prática, veja a seguir como o cálculo funciona com números reais.

Isso importa porque o custo atribuído a cada unidade vendida muda o valor do custo da mercadoria vendida (CMV) e, por consequência, o lucro bruto apurado no período, especialmente quando os preços de compra variam ao longo do tempo.

Como funciona o cálculo do LIFO na prática?

O cálculo do LIFO consiste em atribuir aos itens vendidos o custo dos lotes de compra mais recentes, começando pelo último lote que entrou no estoque e avançando para trás até completar a quantidade vendida.

Veja um exemplo com uma empresa que comprou 3.000 unidades de um produto em três lotes ao longo do ano, com preços subindo por causa da inflação, e vendeu 2.000 unidades no fim do período.

Lote de compraQuantidade compradaCusto unitárioCusto total do lote
Lote 1 (mais antigo)500 unidadesR$ 5,00R$ 2.500,00
Lote 21.000 unidadesR$ 6,00R$ 6.000,00
Lote 3 (mais recente)1.500 unidadesR$ 7,00R$ 10.500,00
Total comprado3.000 unidadesR$ 6,33 (custo médio)R$ 19.000,00

Pelo critério LIFO, as 2.000 unidades vendidas saem primeiro do lote mais recente: as 1.500 unidades do Lote 3 e mais 500 unidades do Lote 2.

O custo da mercadoria vendida fica em R$ 13.500,00, e o estoque restante (500 unidades do Lote 2 e as 500 do Lote 1) fica valorizado em R$ 5.500,00.

O LIFO é permitido para fins fiscais no Brasil?

Não. A legislação brasileira só aceita o método PEPS (equivalente ao FIFO) ou o Custo Médio Ponderado para apurar o Imposto de Renda e a CSLL.

Essa exigência está no Decreto 9.580/2018 e nas normas do CPC 16, que regulamentam a avaliação de estoques para fins contábeis e fiscais.

O LIFO pode ser usado internamente, como ferramenta de análise gerencial para entender o custo de reposição mais recente de um item.

O que não pode é usar esse resultado para calcular o lucro tributável da empresa: a apuração oficial precisa seguir PEPS ou Custo Médio, mesmo que o controle interno de estoque use outra lógica.

Essa distinção também explica por que a restrição existe. O Brasil acumula inflação relevante mesmo fora de picos históricos: o IPCA soma 3,36% em 2026 até junho, e 4,64% em 12 meses.

Em cenários assim, o LIFO tende a gerar um custo de mercadoria vendida mais alto do que o PEPS, porque usa os preços de compra mais recentes e geralmente mais caros.

Um custo mais alto gera um lucro menor no papel, o que reduziria a base de cálculo do imposto. É justamente esse efeito que a Receita Federal não permite.

Qual a diferença entre LIFO e FIFO (PEPS)?

A diferença central está na ordem de saída do estoque: no LIFO, o item comprado por último sai primeiro; no FIFO, também chamado de PEPS no Brasil, o item mais antigo sai primeiro.

Essa inversão muda o custo atribuído à venda e, consequentemente, o lucro apurado no mesmo período.

Usando o mesmo exemplo da seção anterior, com os três lotes de compra e a venda de 2.000 unidades por R$ 10,00 cada (receita de R$ 20.000,00), o resultado muda de forma significativa entre os dois métodos.

MétodoCusto da mercadoria vendidaLucro bruto apuradoValor do estoque restante
LIFOR$ 13.500,00R$ 6.500,00R$ 5.500,00
FIFO (PEPS)R$ 12.000,00R$ 8.000,00R$ 7.000,00

O FIFO usa primeiro os lotes mais antigos e mais baratos, o que gera um custo menor e um lucro maior no período.

É por isso que o FIFO costuma ser exigido em contextos regulados: ele não reduz artificialmente o lucro tributável durante a inflação, ao contrário do LIFO.

Quando usar o LIFO na gestão de estoque?

O LIFO funciona melhor para produtos não perecíveis e homogêneos, ou para itens com alta variação de preço por tendência de mercado.

Mesmo restrito para fins fiscais no Brasil, ele continua sendo uma ferramenta válida de controle gerencial e, em alguns casos, de organização física do estoque.

Cimento, areia e componentes eletrônicos padronizados são bons exemplos do primeiro grupo: a ordem de saída não afeta a qualidade do item, então a posição na pilha não importa.

Já roupas e outros produtos de moda, com preço de compra oscilando bastante entre lotes, se beneficiam do LIFO como ferramenta gerencial, porque o custo mais recente reflete melhor o valor de reposição no momento da análise.

Produtos perecíveis nunca devem seguir o LIFO físico: nesses casos, o FIFO ou o FEFO evitam que itens antigos fiquem parados no fundo do estoque até vencerem.

LIFO como sistema de armazenagem física

O LIFO também existe como uma lógica de arranjo físico dentro do armazém, separada do cálculo contábil: a última carga a entrar em uma posição de estoque é a primeira a ser retirada dali.

Isso acontece porque, geralmente, o acesso àquela posição só permite retirada pelo mesmo lado da entrada.

Estruturas como racks drive-in e sistemas push-back seguem essa lógica por desenho: a carga entra e sai pelo mesmo corredor, então o último pallet colocado é sempre o primeiro a sair.

Isso compacta o uso do espaço, mas só funciona bem para produtos homogêneos e não perecíveis, os mesmos tipos de item indicados para o LIFO contábil gerencial.

A gestão de estoque de um armazém pode usar o arranjo físico LIFO sem que isso tenha qualquer relação com o método contábil usado para apurar o lucro da empresa. São duas aplicações do mesmo princípio, em camadas diferentes da operação.

Quais os benefícios reais do LIFO?

Usado nos contextos certos, o LIFO reduz o tempo de acesso aos itens mais recentes, melhora a rotatividade de produtos sujeitos à obsolescência e simplifica a operação física do armazém, sem depender de realocação constante de pallets.

Como ferramenta de análise gerencial, ele também ajuda a comparar o custo de reposição mais recente de um item com a receita atual, dando uma leitura mais realista da margem em cenários de preços instáveis.

Esse número, porém, serve só para análise interna: não entra na apuração fiscal oficial da empresa.

Vale reforçar o que o LIFO não entrega no Brasil: redução de carga tributária ou vantagem de fluxo de caixa via menos imposto pago.

Quem busca eficiência real de capital de giro deve olhar para giro de estoque e prazo de reposição, não para o método de avaliação contábil.

Quais são os benefícios reais do LIFO

Como aplicar o LIFO com tecnologia?

Um ERP para indústria com módulo de estoque configura o critério de saída (LIFO, FIFO ou custo médio) por produto ou categoria, aplicando o cálculo automaticamente a cada movimentação, sem depender de planilha paralela ou controle manual por lote.

Isso é essencial para manter os dois usos do LIFO separados: o sistema aplica a lógica LIFO na análise gerencial interna e, ao mesmo tempo, mantém a apuração fiscal oficial em PEPS ou Custo Médio.

Assim, não existe risco de misturar os dois relatórios na hora de declarar o imposto.

Um ERP de gestão de estoque também gera o relatório de custo por lote automaticamente, o que elimina o recálculo manual toda vez que a empresa quiser comparar os métodos antes de uma decisão de precificação.

Conclusão

O LIFO é uma ferramenta de análise gerencial válida para produtos não perecíveis e para arranjos físicos de armazenagem, mas não substitui o PEPS ou o Custo Médio na apuração fiscal e contábil da empresa no Brasil.

Entender essa diferença evita decisões de estoque baseadas em uma vantagem tributária que não existe por aqui.

Um ERP como o WebMais permite configurar o critério certo para cada finalidade, gerencial ou fiscal, e conecta esse controle ao restante da gestão de estoque e do financeiro da empresa.

Agende uma demonstração gratuita do ERP WebMais e veja como simplificar esse controle na prática.

FAQ

LIFO e UEPS são a mesma coisa?

Sim. LIFO é a sigla em inglês (Last In, First Out) e UEPS é a tradução oficial em português (Último a Entrar, Primeiro a Sair). Os dois termos descrevem exatamente o mesmo método de avaliação de estoque.

O LIFO pode ser usado em qualquer tipo de produto?

Não é recomendado para produtos perecíveis ou com prazo de validade, já que os itens mais antigos ficariam parados no fundo do estoque até vencer. Funciona melhor para produtos não perecíveis, homogêneos ou sujeitos a variação de preço por tendência de mercado.

Como saber se devo usar LIFO, FIFO ou custo médio?

Para fins fiscais no Brasil, a escolha já está limitada a PEPS ou Custo Médio Ponderado. Para controle gerencial interno, a escolha depende do tipo de produto: perecíveis pedem FIFO ou FEFO, e itens não perecíveis com preço instável podem usar LIFO como análise complementar. de eficiência na gestão de estoque.

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Sanon Matias

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Fundador da WebMais Sistemas, Sanon Matias Fortunato possui mais de 25 anos de experiência em diversas vertentes das tecnologias e gestão empresarial, com ênfase em Indústria e Distribuição. Profundo conhecedor da área comercial, Funil de vendas, CRM, Indicadores, Mídias Pagas, SEO, Inbound Marketing, Adwords, FacebookAds, Rede Sociais, Sucesso de Cliente e Canais de Parcerias.

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