UEPS (Último a Entrar, Primeiro a Sair) é o método de controle de estoque que atribui às vendas o custo dos itens comprados mais recentemente. Também chamado de LIFO em inglês, não é aceito para apuração fiscal no Brasil, apenas para análise gerencial interna.
Se você chegou até aqui depois de ver o UEPS citado em uma prova de contabilidade, em um sistema de gestão ou em uma dúvida sobre como valorizar o estoque da sua empresa, vale alinhar uma coisa primeiro: existe o UEPS como critério de custo e existe o UEPS como regra que a Receita Federal aceita, e os dois não são a mesma coisa no Brasil.
Essa distinção evita um erro comum: aplicar o método internamente sem saber que ele não pode aparecer na apuração oficial do imposto, ou descartar o UEPS por completo sem perceber que ele ainda tem uso real como ferramenta de análise gerencial.


UEPS é a sigla de Último a Entrar, Primeiro a Sair, um critério de avaliação de estoque que considera vendidos primeiro os itens comprados por último. Em inglês, o mesmo método é chamado de LIFO, de Last In, First Out.

Na prática, o UEPS não define a ordem física em que os produtos saem do depósito. Ele define qual custo a empresa usa para calcular o valor de cada venda ou consumo de material, mesmo que fisicamente o item retirado seja outro.
Para aprofundar, veja como esse critério se aplica a um exemplo numérico real, o que ele muda no resultado da empresa e por que a legislação brasileira não aceita esse cálculo para fins fiscais.
O cálculo do UEPS atribui à saída de estoque o custo dos lotes de compra mais recentes, avançando para os lotes mais antigos apenas quando o mais novo se esgota. Isso vale tanto para venda de mercadoria quanto para consumo de matéria-prima na produção.
Veja um exemplo de uma indústria que comprou 1.800 kg de uma matéria-prima em três lotes, com preços subindo ao longo do tempo, e consumiu 1.000 kg em uma ordem de produção.
| Lote de compra | Quantidade | Custo unitário | Custo total do lote |
| Lote 1 (mais antigo) | 800 kg | R$ 18,00 | R$ 14.400,00 |
| Lote 2 | 600 kg | R$ 21,00 | R$ 12.600,00 |
| Lote 3 (mais recente) | 400 kg | R$ 25,00 | R$ 10.000,00 |
| Total comprado | 1.800 kg | R$ 20,56 (custo médio) | R$ 37.000,00 |
Pelo critério UEPS, os 1.000 kg consumidos saem primeiro do lote mais recente: os 400 kg do Lote 3 e mais 600 kg do Lote 2, que se esgota por completo.
O custo do material consumido fica em R$ 22.600,00 (400 × R$ 25,00 mais 600 × R$ 21,00), e o estoque remanescente, formado pelos 800 kg do Lote 1, fica valorizado em R$ 14.400,00.
Estoque remanescente é o total de produtos ou materiais que sobram no depósito depois de um período de vendas, de consumo em produção ou de uma baixa de itens: são os itens que ainda não saíram e continuam guardados fisicamente na empresa.
No método UEPS, esse saldo remanescente carrega justamente os custos mais antigos, porque a lógica do método consome primeiro os lotes recém-chegados. Por isso, quanto mais tempo um item passa sem sofrer nova compra, mais desatualizado fica o custo pelo qual ele está registrado no estoque.
No exemplo da seção anterior, os 800 kg que sobraram no Lote 1 continuam valorizados a R$ 18,00 por kg, mesmo que o custo de reposição atual desse material já esteja em R$ 25,00. Essa defasagem entre custo registrado e custo de reposição é uma das razões pelas quais o balanço de uma empresa que usa UEPS pode subestimar o custo de estoque real em épocas de inflação.
Não. A legislação brasileira só aceita o método PEPS ou o Custo Médio Ponderado para apurar o Imposto de Renda e a CSLL, conforme o Decreto 9.580/2018 e as normas do CPC 16, que regulamentam a avaliação de estoques para fins contábeis e fiscais no país.
A restrição existe porque o UEPS tende a produzir um custo de saída mais alto durante períodos de preços em alta, já que usa os valores de compra mais recentes e geralmente mais caros. Um custo mais alto reduz o lucro apurado no papel, o que reduziria também a base de cálculo do imposto de renda: é esse efeito que a Receita Federal não permite.
O IPCA acumula 3,36% em 2026 até junho e 4,64% em 12 meses, patamar suficiente para que a diferença entre UEPS e PEPS gere impacto real no lucro apurado de uma empresa com estoque relevante.
O UEPS pode continuar sendo usado internamente, como ferramenta de análise gerencial para entender o custo de reposição mais recente de um item. O que não pode é usar esse resultado para calcular o lucro tributável: a apuração oficial precisa seguir PEPS ou Custo Médio, mesmo que o controle interno de estoque use outra lógica.
A diferença central está na ordem de saída do estoque: no UEPS, o item comprado por último sai primeiro; no PEPS, também chamado de FIFO, o item mais antigo sai primeiro. Essa inversão muda o custo atribuído à saída e, consequentemente, o resultado apurado no mesmo período.
Usando o mesmo exemplo dos três lotes de matéria-prima e o consumo de 1.000 kg, o resultado muda de forma significativa entre os dois métodos.
| Método | Custo do material consumido | Saldo do estoque remanescente |
| UEPS | R$ 22.600,00 | R$ 14.400,00 |
| PEPS | R$ 18.600,00 | R$ 18.400,00 |
O PEPS consome primeiro os lotes mais antigos e mais baratos, o que gera um custo de saída menor e deixa o estoque remanescente valorizado com os preços mais recentes, mais próximos do custo de reposição atual.
É por isso que o PEPS costuma ser exigido em contextos regulados: ele não reduz artificialmente o lucro tributável durante a inflação, ao contrário do UEPS, e ainda mantém o valor do estoque no balanço mais próximo da realidade de mercado.
Essa diferença também muda a leitura da margem para quem decide preço de venda. No exemplo anterior, o PEPS mostra um custo de R$ 18.600,00 para os mesmos 1.000 kg que o UEPS calcula a R$ 22.600,00: se a empresa usar o número do PEPS para decidir o preço do próximo lote, corre o risco de vender abaixo do custo de repor aquele material hoje, porque o PEPS ainda está refletindo compras mais antigas e mais baratas.
O UEPS, mesmo sem valer para a apuração fiscal, funciona como um segundo olhar gerencial sobre essa margem: ele mostra o que a operação custaria se toda a reposição fosse feita ao preço mais recente, o que ajuda a decidir reajuste de preço antes que a margem real, e não só a contábil, comece a cair.
Sua empresa está pronta para aplicar o UEPS quando o cadastro de produtos, as compras e as saídas de estoque têm precisão suficiente para sustentar o cálculo do custo por lote.
Antes de usar o UEPS como ferramenta gerencial, vale confirmar se o controle de estoque da empresa tem essa base necessária para que o número calculado seja confiável. O método não corrige um cadastro bagunçado, ele só reflete com mais precisão a realidade que já está registrada.

Cadastro de produtos consolidado: a mesma matéria-prima ou mercadoria não pode aparecer com nomes, unidades ou códigos diferentes, senão o custo fica espalhado entre registros que deveriam ser um só.
Compras registradas com data, quantidade e custo unitário: sem esses três dados por lote, não existe UEPS possível, porque o método depende de saber exatamente qual foi a última compra.
Saídas apontadas no momento em que acontecem: um lançamento atrasado de venda ou de consumo de produção distorce qual lote deveria ter sido consumido primeiro.
Inventário físico recente confirmando o saldo: o cálculo pode estar matematicamente correto e ainda assim não bater com a realidade, se o saldo de partida já estiver errado.
Alinhamento prévio com a contabilidade: como o UEPS não pode entrar na apuração fiscal, a equipe contábil precisa saber que esse número circula apenas como controle interno, sem risco de ser usado por engano no fechamento oficial.
Se algum desses pontos ainda não está resolvido, vale corrigir a base antes de tirar conclusões de gestão a partir do UEPS: um número preciso sobre uma base errada continua sendo um número errado.


O UEPS funciona melhor como ferramenta de análise gerencial para produtos não perecíveis, com preço de compra sujeito a variação relevante ao longo do tempo, como matérias-primas industriais, commodities e insumos com cotação instável.
Nesses casos, o custo mais recente que o UEPS atribui à saída se aproxima do custo de reposição real, o que ajuda a avaliar se o preço de venda praticado ainda cobre o custo de repor aquele item hoje, e não apenas o custo histórico de quando ele foi comprado.
Produtos perecíveis ou com prazo de validade nunca devem seguir essa lógica: nesses casos, o PVPS, também chamado de FEFO, evita que itens antigos fiquem parados no fundo do estoque até vencerem, priorizando a saída pela data de validade mais próxima em vez da ordem de compra.
Um ERP para indústria com módulo de estoque configura o critério de custo por produto ou categoria e aplica o cálculo automaticamente a cada movimentação, sem depender de planilha paralela ou de controle manual por lote. Para distribuidoras, o mesmo controle dentro do ERP para distribuidora mantém o custo de cada lote alinhado entre compras, estoque e financeiro.
Isso mantém os dois usos do UEPS separados sem risco de mistura: o sistema aplica a lógica UEPS na análise gerencial interna e, ao mesmo tempo, mantém a apuração fiscal oficial em PEPS ou Custo Médio, cada uma no relatório correto.
Um ERP de gestão de estoque também gera o custo por lote automaticamente a cada entrada e saída, o que elimina o recálculo manual toda vez que a empresa quiser comparar os métodos antes de uma decisão de precificação.


O UEPS é um critério de custo válido para análise gerencial, especialmente em matérias-primas com preço instável, mas não substitui o PEPS ou o Custo Médio na apuração fiscal e contábil de uma empresa brasileira. Entender essa diferença evita decisões de estoque baseadas em uma vantagem tributária que não existe por aqui.
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O UEPS atribui à saída o custo do lote comprado mais recentemente, enquanto o Custo Médio Ponderado recalcula uma média entre todos os lotes em estoque a cada nova compra. O Custo Médio é aceito para fins fiscais no Brasil; o UEPS, não.
PVPS significa Primeiro que Vence, Primeiro que Sai, o mesmo método conhecido como FEFO. Diferente do UEPS, ele não olha para a ordem de compra, e sim para a data de validade de cada item, priorizando a saída do que vence primeiro.
Sim. UEPS é o nome em português e LIFO é a sigla em inglês (Last In, First Out) para o mesmo método de avaliação de estoque, que considera vendidos ou consumidos primeiro os itens comprados por último.o!
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