PEPS: o que é, como calcular e quando usar na sua empresa

  • Por Sanon Matias
PEPS: o que é, como calcular e quando usar na sua empresa

PEPS (Primeiro que Entra, Primeiro que Sai) é o método de avaliação de estoque que determina que os itens comprados primeiro sejam registrados como vendidos primeiro. É aceito pela Receita Federal brasileira e garante que o custo do produto vendido reflita os preços mais antigos do estoque.

Quando sua empresa compra o mesmo produto em datas e preços diferentes, precisa definir um critério para calcular o custo do que foi vendido. Essa escolha não é apenas operacional: ela determina o CMV (Custo das Mercadorias Vendidas), o lucro contábil e, diretamente, a base de cálculo do imposto.

O PEPS é um dos dois métodos aceitos pela Receita Federal para essa finalidade, ao lado do Custo Médio Ponderado. Entender como ele funciona, em que cenário é mais adequado e quando o FEFO ou o Custo Médio seriam melhores escolhas permite tomar essa decisão com base em dados, não em hábito.

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O que é PEPS?

PEPS é a sigla de “Primeiro que Entra, Primeiro que Sai” e é o método de avaliação de estoque que considera o custo dos itens comprados mais antigos para calcular o valor dos produtos vendidos. O saldo restante no estoque é sempre avaliado pelos preços das compras mais recentes.

Na prática, isso significa que, ao registrar uma saída de estoque, o sistema aplica o custo do lote mais antigo disponível, não o custo atual de mercado nem uma média dos lotes existentes. O método organiza o estoque como uma fila: quem entrou primeiro sai primeiro.

texto explicando o que é PEPS de forma clara e objetiva.

PEPS é o mesmo que FIFO?

Sim. FIFO é a denominação em inglês do mesmo método: First In, First Out. Empresas que trabalham com parceiros internacionais ou sistemas importados costumam usar o termo FIFO; a legislação brasileira e os documentos da Receita Federal adotam PEPS. O nome é diferente; o critério de avaliação é idêntico. 

Para uma comparação direta entre FIFO, FEFO e LIFO (UEPS), o artigo da WebMais sobre os três métodos que detalham as diferenças lado a lado.

Como funciona o PEPS na prática?

O princípio do PEPS parece simples, mas seu efeito no resultado financeiro varia conforme o histórico de preços de compra e o volume vendido em cada período. 

O exemplo abaixo mostra como o método se comporta com dados concretos.

Exemplo numérico passo a passo

Situação: uma distribuidora compra dois lotes do mesmo produto.

  • Lote 1: 100 unidades a R$ 10,00 cada (entrada em março)
  • Lote 2: 100 unidades a R$ 15,00 cada (entrada em abril)

Venda no mês: 120 unidades.

Pelo método PEPS, a saída é calculada assim:

  • Primeiros 100 unidades saem pelo custo do Lote 1 (R$ 10,00): R$ 1.000,00
  • 20 unidades restantes saem pelo custo do Lote 2 (R$ 15,00): R$ 300,00
  • CMV total: R$ 1.300,00

Estoque remanescente: 80 unidades do Lote 2, avaliadas a R$ 15,00 cada, totalizando R$ 1.200,00.

Se as 120 unidades foram vendidas a R$ 25,00 cada (receita de R$ 3.000,00), o lucro bruto pelo PEPS é de R$ 1.700,00. Esse número muda significativamente com Custo Médio ou UEPS, como mostra a seção de comparativo.

Qual a diferença entre PEPS, UEPS e Custo Médio?

A escolha do método de avaliação define como o CMV é apurado em cada venda, e esse número impacta o lucro contábil e a base de cálculo do imposto. 

Existem três métodos principais no controle de estoque: PEPS, UEPS e Custo Médio Ponderado (também chamado de MPM, Média Ponderada Móvel). No Brasil, apenas dois são aceitos pela Receita Federal.

Infográfico mostrando as diferenças entre PEPS, UEPS e Custo Médio.

UEPS: por que é proibido pela Receita Federal

O UEPS (Último que Entra, Primeiro que Sai) aplica o custo do lote mais recente na saída do estoque. Em períodos de inflação, isso gera um CMV mais alto, reduzindo o lucro contábil e, consequentemente, o imposto a pagar, motivo pelo qual o método foi vedado pela legislação fiscal brasileira.

O Decreto 9.580/2018, que regulamenta o Imposto de Renda das pessoas jurídicas, aceita apenas PEPS e Custo Médio Ponderado para fins de apuração do IR e da CSLL.

Usar UEPS na escrituração seria equivalente a reduzir artificialmente o lucro tributável. Para as empresas, isso significa que, na prática, a escolha se resume a PEPS ou Custo Médio.

Custo Médio Ponderado: quando é mais vantajoso que o PEPS

O Custo Médio Ponderado calcula uma média dos preços de todas as entradas e aplica esse valor a cada saída. Ele não distingue entre lotes mais antigos e mais novos: cada unidade sai ao mesmo custo médio vigente no período.

A principal vantagem em relação ao PEPS é a estabilidade: em cenários de alta de preços, o Custo Médio distribui o impacto ao longo do tempo em vez de concentrar os lotes mais baratos no CMV logo no início. 

Para empresas com grande variação de preços de compra e margens sensíveis à tributação, o Custo Médio pode gerar resultados mais previsíveis. Para operações com produtos perecíveis ou de alta rotatividade, o PEPS se alinha melhor ao fluxo físico real do estoque.

Qual o impacto do PEPS no CMV e na tributação?

Usando os mesmos dados do exemplo anterior (Lote 1: 100 un. a R$ 10 / Lote 2: 100 un. a R$ 15 / Venda: 120 un. a R$ 25), o resultado muda conforme o método escolhido:

MétodoCMV (120 un.)Receita brutaLucro bruto
PEPSR$ 1.300,00R$ 3.000,00R$ 1.700,00
Custo MédioR$ 1.500,00R$ 3.000,00R$ 1.500,00
UEPS (proibido no Brasil)R$ 1.700,00R$ 3.000,00R$ 1.300,00

Com o PEPS, o CMV é menor porque os lotes mais baratos (comprados primeiro) são atribuídos às vendas primeiro. O resultado: lucro bruto mais alto e, portanto, maior base tributável para IR e CSLL.

Em períodos de inflação constante, essa diferença se acumula a cada apuração. A empresa com PEPS registra custos menores nas saídas e mantém os custos mais altos no saldo de estoque. 

Isso pode aumentar o imposto no período mesmo sem que o resultado operacional real tenha melhorado. Não existe método superior em abstrato: o método certo é o que reflete com mais fidelidade o fluxo da sua operação e está alinhado à estratégia fiscal definida com o contador.

PEPS ou FEFO: qual usar em produtos com prazo de validade?

PEPS e FEFO partem de princípios diferentes, e isso importa para quem trabalha com produtos perecíveis. O PEPS prioriza a ordem de chegada: o que entrou primeiro sai primeiro. 

O FEFO (First Expired, First Out) prioriza a data de vencimento: o que vence primeiro sai primeiro, independentemente de quando chegou ao estoque.

Na maioria das operações, os dois métodos coincidem: o lote mais antigo costuma ser também o que vence primeiro. Mas isso nem sempre acontece. Considere dois lotes do mesmo produto:

  • Lote A: entrou em janeiro, vence em junho
  • Lote B: entrou em fevereiro, vence em maio

Pelo PEPS, o Lote A (mais antigo na entrada) sai primeiro. Pelo FEFO, o Lote B (com vencimento mais próximo) sai primeiro. Se a operação seguir rigorosamente o PEPS sem checar as datas de vencimento, o Lote B pode vencer no estoque antes de ser expedido e vira perda.

Para indústrias de alimentos, cosméticos, farmacêuticas e distribuidoras que trabalham com produtos de prazo de validade, o FEFO é o critério operacionalmente mais seguro para evitar perdas por vencimento. 

O PEPS, nesses casos, continua válido para a escrituração contábil, mas o critério de separação física do estoque deve seguir o FEFO para proteger a margem.

O controle de lote e validade permite rastrear cada lote individualmente e garantir que a separação física do estoque siga a data de vencimento, não apenas a data de entrada.

Vantagens e desvantagens do PEPS

O PEPS tem atributos claros para certos tipos de operação e limitações igualmente claras para outros. Os dois lados precisam estar na mesa antes da decisão.

Vantagens do PEPS

Infográfico mostrando as Vantagens do PEPS

O PEPS reduz o risco de produtos obsoletos ou vencidos no estoque porque força a saída dos lotes mais antigos antes dos mais recentes. 

Em operações com giro de estoque médio a alto, isso resulta em menor necessidade de inventário para identificar itens parados e menor perda por obsolescência.

O método reflete com mais precisão o fluxo físico real de estoque na maioria das operações, o que facilita a auditoria e a acurácia do estoque

O estoque final é avaliado pelos preços mais recentes, o que aproxima o valor contábil do valor de mercado atual, tornando o balanço mais representativo da realidade da empresa.

Desvantagens do PEPS

Infográfico mostrando as Desvantagens do PEPS

Em períodos de inflação, o PEPS gera CMV mais baixo e lucro contábil mais alto. Como mostrou a tabela de comparativo, a diferença em relação ao Custo Médio pode ser relevante dependendo do volume de compras e da variação de preços, com impacto direto na carga tributária do período.

Operações com grande variedade de lotes e preços de compra muito variáveis exigem controle rigoroso da rastreabilidade de produtos para garantir que o sistema aplique o custo do lote correto a cada saída. 

Sem um sistema integrado, manter o PEPS manualmente em volumes altos é um processo com risco elevado de erro de apuração.

Como implementar o PEPS na sua empresa

Implementar o PEPS exige três condições: registro preciso das entradas com data e custo de cada lote, organização física do estoque por ordem de chegada (ou de vencimento, para perecíveis) e um sistema que aplique automaticamente o custo do lote mais antigo a cada saída. A ausência de qualquer uma dessas condições compromete a acurácia do método.

Infográfico mostrando como implementar o PEPS na sua empresa.

1. Registre cada entrada com data, lote e preço

Cada recebimento deve gerar um registro com ao menos três informações: data de entrada, quantidade recebida e custo unitário do lote. Esse registro alimenta o kardex de movimentação de estoque e é o ponto de partida para o cálculo PEPS. Sem esse histórico estruturado, o sistema não tem como identificar qual lote é o mais antigo e aplicar o custo correto.

2. Organize a separação física pelo critério correto

Registrar o PEPS no sistema não garante que a operação física respeite o mesmo critério. A separação no estoque precisa ser organizada para que o lote mais antigo esteja sempre acessível primeiro. Prateleiras abastecidas por trás e retiradas pela frente (sistema flow-rack) são uma solução clássica para isso.

Para produtos com prazo de validade, a organização física deve seguir o FEFO, mesmo que o registro contábil siga o PEPS. A rastreabilidade por lote permite monitorar cada item individualmente e garantir que nenhum lote com vencimento próximo fique à frente de um lote com validade mais longa.

3. Use um sistema para automatizar o controle

Controlar o PEPS manualmente em operações com mais de 100 itens e múltiplos fornecedores é um processo com alto risco de erro de custeio. Um ERP integrado ao controle de estoque aplica o método automaticamente a cada movimentação: registra a entrada com o custo e a data do lote, calcula a saída pelo critério PEPS e atualiza o saldo sem intervenção manual.

O índice de perdas operacionais no varejo alimentar atingiu 1,87% em 2025, segundo a ABRAS. Em uma operação com R$ 10 milhões de faturamento, isso equivale a R$ 187 mil perdidos por ano, parte significativa atribuída a falhas no controle de lote e validade que um sistema adequado previne.

Conclusão

O método PEPS define como o estoque se movimenta fisicamente, como o custo é reconhecido em cada venda e qual impacto isso gera no resultado fiscal da empresa. Escolher o método certo exige entender essas três dimensões juntas.

Para a maioria das operações com produtos de giro regular ou com prazo de validade, o PEPS é o método mais alinhado ao fluxo real do estoque. Em operações com grande volatilidade de preços e margem sensível à tributação, o Custo Médio pode ser mais adequado. A decisão final envolve o contador e a realidade da operação.

O ERP WebMais aplica o PEPS automaticamente a cada movimentação, registra a entrada por lote e custo, calcula o CMV sem intervenção manual e gera relatórios que permitem identificar lotes parados antes que virem perda. 

Para distribuidoras e indústrias que precisam de um ERP de controle de estoque integrado ao financeiro e à emissão de notas, agende uma demonstração gratuita e veja como funciona na prática.

FAQ

Como o PEPS afeta o imposto a pagar da empresa?

Em períodos de alta nos preços de compra, o PEPS registra o CMV com os custos dos lotes mais antigos e mais baratos, o que resulta em lucro contábil mais alto e base tributável maior para IR e CSLL. 

Isso não torna o PEPS uma escolha errada; significa que a decisão entre PEPS e Custo Médio deve considerar o perfil de variação de preços da operação e ser avaliada com o contador da empresa para que o método escolhido seja consistente com a estratégia fiscal do negócio.

PEPS e FIFO são a mesma coisa?

Sim. PEPS (Primeiro que Entra, Primeiro que Sai) é a denominação em português adotada pela legislação fiscal brasileira. FIFO (First In, First Out) é o mesmo método com o nome em inglês, usado em sistemas internacionais e na documentação técnica de ERPs importados. Para fins contábeis e fiscais no Brasil, os dois termos são equivalentes.

Qual a diferença entre PEPS e FEFO?

O PEPS ordena as saídas pela data de entrada no estoque; o FEFO ordena pela data de vencimento do produto. Os dois métodos coincidem quando o lote mais antigo é também o que vence primeiro. A divergência aparece quando um lote mais recente tem prazo de validade menor que um lote mais antigo. 

Nestes casos, seguir apenas o PEPS na separação física pode gerar vencimento de produtos. Para operações com perecíveis, o FEFO é o critério operacionalmente mais seguro para a movimentação física, complementando o PEPS na escrituração contábil.

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Sanon Matias

WebMais

Fundador da WebMais Sistemas, Sanon Matias Fortunato possui mais de 25 anos de experiência em diversas vertentes das tecnologias e gestão empresarial, com ênfase em Indústria e Distribuição. Profundo conhecedor da área comercial, Funil de vendas, CRM, Indicadores, Mídias Pagas, SEO, Inbound Marketing, Adwords, FacebookAds, Rede Sociais, Sucesso de Cliente e Canais de Parcerias.

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