PEPS (Primeiro que Entra, Primeiro que Sai) é o método de avaliação de estoque que determina que os itens comprados primeiro sejam registrados como vendidos primeiro. É aceito pela Receita Federal brasileira e garante que o custo do produto vendido reflita os preços mais antigos do estoque.
Quando sua empresa compra o mesmo produto em datas e preços diferentes, precisa definir um critério para calcular o custo do que foi vendido. Essa escolha não é apenas operacional: ela determina o CMV (Custo das Mercadorias Vendidas), o lucro contábil e, diretamente, a base de cálculo do imposto.
O PEPS é um dos dois métodos aceitos pela Receita Federal para essa finalidade, ao lado do Custo Médio Ponderado. Entender como ele funciona, em que cenário é mais adequado e quando o FEFO ou o Custo Médio seriam melhores escolhas permite tomar essa decisão com base em dados, não em hábito.


PEPS é a sigla de “Primeiro que Entra, Primeiro que Sai” e é o método de avaliação de estoque que considera o custo dos itens comprados mais antigos para calcular o valor dos produtos vendidos. O saldo restante no estoque é sempre avaliado pelos preços das compras mais recentes.
Na prática, isso significa que, ao registrar uma saída de estoque, o sistema aplica o custo do lote mais antigo disponível, não o custo atual de mercado nem uma média dos lotes existentes. O método organiza o estoque como uma fila: quem entrou primeiro sai primeiro.

Sim. FIFO é a denominação em inglês do mesmo método: First In, First Out. Empresas que trabalham com parceiros internacionais ou sistemas importados costumam usar o termo FIFO; a legislação brasileira e os documentos da Receita Federal adotam PEPS. O nome é diferente; o critério de avaliação é idêntico.
Para uma comparação direta entre FIFO, FEFO e LIFO (UEPS), o artigo da WebMais sobre os três métodos que detalham as diferenças lado a lado.
O princípio do PEPS parece simples, mas seu efeito no resultado financeiro varia conforme o histórico de preços de compra e o volume vendido em cada período.
O exemplo abaixo mostra como o método se comporta com dados concretos.
Situação: uma distribuidora compra dois lotes do mesmo produto.
Venda no mês: 120 unidades.
Pelo método PEPS, a saída é calculada assim:
Estoque remanescente: 80 unidades do Lote 2, avaliadas a R$ 15,00 cada, totalizando R$ 1.200,00.
Se as 120 unidades foram vendidas a R$ 25,00 cada (receita de R$ 3.000,00), o lucro bruto pelo PEPS é de R$ 1.700,00. Esse número muda significativamente com Custo Médio ou UEPS, como mostra a seção de comparativo.
A escolha do método de avaliação define como o CMV é apurado em cada venda, e esse número impacta o lucro contábil e a base de cálculo do imposto.
Existem três métodos principais no controle de estoque: PEPS, UEPS e Custo Médio Ponderado (também chamado de MPM, Média Ponderada Móvel). No Brasil, apenas dois são aceitos pela Receita Federal.

O UEPS (Último que Entra, Primeiro que Sai) aplica o custo do lote mais recente na saída do estoque. Em períodos de inflação, isso gera um CMV mais alto, reduzindo o lucro contábil e, consequentemente, o imposto a pagar, motivo pelo qual o método foi vedado pela legislação fiscal brasileira.
O Decreto 9.580/2018, que regulamenta o Imposto de Renda das pessoas jurídicas, aceita apenas PEPS e Custo Médio Ponderado para fins de apuração do IR e da CSLL.
Usar UEPS na escrituração seria equivalente a reduzir artificialmente o lucro tributável. Para as empresas, isso significa que, na prática, a escolha se resume a PEPS ou Custo Médio.
O Custo Médio Ponderado calcula uma média dos preços de todas as entradas e aplica esse valor a cada saída. Ele não distingue entre lotes mais antigos e mais novos: cada unidade sai ao mesmo custo médio vigente no período.
A principal vantagem em relação ao PEPS é a estabilidade: em cenários de alta de preços, o Custo Médio distribui o impacto ao longo do tempo em vez de concentrar os lotes mais baratos no CMV logo no início.
Para empresas com grande variação de preços de compra e margens sensíveis à tributação, o Custo Médio pode gerar resultados mais previsíveis. Para operações com produtos perecíveis ou de alta rotatividade, o PEPS se alinha melhor ao fluxo físico real do estoque.
Usando os mesmos dados do exemplo anterior (Lote 1: 100 un. a R$ 10 / Lote 2: 100 un. a R$ 15 / Venda: 120 un. a R$ 25), o resultado muda conforme o método escolhido:
| Método | CMV (120 un.) | Receita bruta | Lucro bruto |
| PEPS | R$ 1.300,00 | R$ 3.000,00 | R$ 1.700,00 |
| Custo Médio | R$ 1.500,00 | R$ 3.000,00 | R$ 1.500,00 |
| UEPS (proibido no Brasil) | R$ 1.700,00 | R$ 3.000,00 | R$ 1.300,00 |
Com o PEPS, o CMV é menor porque os lotes mais baratos (comprados primeiro) são atribuídos às vendas primeiro. O resultado: lucro bruto mais alto e, portanto, maior base tributável para IR e CSLL.
Em períodos de inflação constante, essa diferença se acumula a cada apuração. A empresa com PEPS registra custos menores nas saídas e mantém os custos mais altos no saldo de estoque.
Isso pode aumentar o imposto no período mesmo sem que o resultado operacional real tenha melhorado. Não existe método superior em abstrato: o método certo é o que reflete com mais fidelidade o fluxo da sua operação e está alinhado à estratégia fiscal definida com o contador.
PEPS e FEFO partem de princípios diferentes, e isso importa para quem trabalha com produtos perecíveis. O PEPS prioriza a ordem de chegada: o que entrou primeiro sai primeiro.
O FEFO (First Expired, First Out) prioriza a data de vencimento: o que vence primeiro sai primeiro, independentemente de quando chegou ao estoque.
Na maioria das operações, os dois métodos coincidem: o lote mais antigo costuma ser também o que vence primeiro. Mas isso nem sempre acontece. Considere dois lotes do mesmo produto:
Pelo PEPS, o Lote A (mais antigo na entrada) sai primeiro. Pelo FEFO, o Lote B (com vencimento mais próximo) sai primeiro. Se a operação seguir rigorosamente o PEPS sem checar as datas de vencimento, o Lote B pode vencer no estoque antes de ser expedido e vira perda.
Para indústrias de alimentos, cosméticos, farmacêuticas e distribuidoras que trabalham com produtos de prazo de validade, o FEFO é o critério operacionalmente mais seguro para evitar perdas por vencimento.
O PEPS, nesses casos, continua válido para a escrituração contábil, mas o critério de separação física do estoque deve seguir o FEFO para proteger a margem.
O controle de lote e validade permite rastrear cada lote individualmente e garantir que a separação física do estoque siga a data de vencimento, não apenas a data de entrada.
O PEPS tem atributos claros para certos tipos de operação e limitações igualmente claras para outros. Os dois lados precisam estar na mesa antes da decisão.

O PEPS reduz o risco de produtos obsoletos ou vencidos no estoque porque força a saída dos lotes mais antigos antes dos mais recentes.
Em operações com giro de estoque médio a alto, isso resulta em menor necessidade de inventário para identificar itens parados e menor perda por obsolescência.
O método reflete com mais precisão o fluxo físico real de estoque na maioria das operações, o que facilita a auditoria e a acurácia do estoque.
O estoque final é avaliado pelos preços mais recentes, o que aproxima o valor contábil do valor de mercado atual, tornando o balanço mais representativo da realidade da empresa.

Em períodos de inflação, o PEPS gera CMV mais baixo e lucro contábil mais alto. Como mostrou a tabela de comparativo, a diferença em relação ao Custo Médio pode ser relevante dependendo do volume de compras e da variação de preços, com impacto direto na carga tributária do período.
Operações com grande variedade de lotes e preços de compra muito variáveis exigem controle rigoroso da rastreabilidade de produtos para garantir que o sistema aplique o custo do lote correto a cada saída.
Sem um sistema integrado, manter o PEPS manualmente em volumes altos é um processo com risco elevado de erro de apuração.
Implementar o PEPS exige três condições: registro preciso das entradas com data e custo de cada lote, organização física do estoque por ordem de chegada (ou de vencimento, para perecíveis) e um sistema que aplique automaticamente o custo do lote mais antigo a cada saída. A ausência de qualquer uma dessas condições compromete a acurácia do método.

Cada recebimento deve gerar um registro com ao menos três informações: data de entrada, quantidade recebida e custo unitário do lote. Esse registro alimenta o kardex de movimentação de estoque e é o ponto de partida para o cálculo PEPS. Sem esse histórico estruturado, o sistema não tem como identificar qual lote é o mais antigo e aplicar o custo correto.
Registrar o PEPS no sistema não garante que a operação física respeite o mesmo critério. A separação no estoque precisa ser organizada para que o lote mais antigo esteja sempre acessível primeiro. Prateleiras abastecidas por trás e retiradas pela frente (sistema flow-rack) são uma solução clássica para isso.
Para produtos com prazo de validade, a organização física deve seguir o FEFO, mesmo que o registro contábil siga o PEPS. A rastreabilidade por lote permite monitorar cada item individualmente e garantir que nenhum lote com vencimento próximo fique à frente de um lote com validade mais longa.
Controlar o PEPS manualmente em operações com mais de 100 itens e múltiplos fornecedores é um processo com alto risco de erro de custeio. Um ERP integrado ao controle de estoque aplica o método automaticamente a cada movimentação: registra a entrada com o custo e a data do lote, calcula a saída pelo critério PEPS e atualiza o saldo sem intervenção manual.
O índice de perdas operacionais no varejo alimentar atingiu 1,87% em 2025, segundo a ABRAS. Em uma operação com R$ 10 milhões de faturamento, isso equivale a R$ 187 mil perdidos por ano, parte significativa atribuída a falhas no controle de lote e validade que um sistema adequado previne.


O método PEPS define como o estoque se movimenta fisicamente, como o custo é reconhecido em cada venda e qual impacto isso gera no resultado fiscal da empresa. Escolher o método certo exige entender essas três dimensões juntas.
Para a maioria das operações com produtos de giro regular ou com prazo de validade, o PEPS é o método mais alinhado ao fluxo real do estoque. Em operações com grande volatilidade de preços e margem sensível à tributação, o Custo Médio pode ser mais adequado. A decisão final envolve o contador e a realidade da operação.
O ERP WebMais aplica o PEPS automaticamente a cada movimentação, registra a entrada por lote e custo, calcula o CMV sem intervenção manual e gera relatórios que permitem identificar lotes parados antes que virem perda.
Para distribuidoras e indústrias que precisam de um ERP de controle de estoque integrado ao financeiro e à emissão de notas, agende uma demonstração gratuita e veja como funciona na prática.
Em períodos de alta nos preços de compra, o PEPS registra o CMV com os custos dos lotes mais antigos e mais baratos, o que resulta em lucro contábil mais alto e base tributável maior para IR e CSLL.
Isso não torna o PEPS uma escolha errada; significa que a decisão entre PEPS e Custo Médio deve considerar o perfil de variação de preços da operação e ser avaliada com o contador da empresa para que o método escolhido seja consistente com a estratégia fiscal do negócio.
Sim. PEPS (Primeiro que Entra, Primeiro que Sai) é a denominação em português adotada pela legislação fiscal brasileira. FIFO (First In, First Out) é o mesmo método com o nome em inglês, usado em sistemas internacionais e na documentação técnica de ERPs importados. Para fins contábeis e fiscais no Brasil, os dois termos são equivalentes.
O PEPS ordena as saídas pela data de entrada no estoque; o FEFO ordena pela data de vencimento do produto. Os dois métodos coincidem quando o lote mais antigo é também o que vence primeiro. A divergência aparece quando um lote mais recente tem prazo de validade menor que um lote mais antigo.
Nestes casos, seguir apenas o PEPS na separação física pode gerar vencimento de produtos. Para operações com perecíveis, o FEFO é o critério operacionalmente mais seguro para a movimentação física, complementando o PEPS na escrituração contábil.
Conteúdo quinzenal