Ficha técnica de produto é o documento que registra tudo o que entra na fabricação de um item, em que quantidade e com quanta perda. Serve para a indústria comprar o material certo, produzir sempre do mesmo jeito e saber quanto cada unidade realmente custa.
Quando a ficha técnica de um produto está errada, o erro não aparece em um lugar só. O estoque do sistema deixa de bater com o físico, o material separado não cobre o lote e o preço de venda é calculado sobre um custo que a fábrica não pratica.
Este guia mostra o que a ficha técnica precisa ter, como calcular a perda sem errar a compra e como montar a sua passo a passo. No meio do caminho tem um exemplo completo, com estrutura em níveis, roteiro e custo unitário.


Ficha técnica de produto é o documento que descreve a receita de fabricação de um item: quais materiais e componentes ele consome, em que quantidade, em que unidade de medida e com qual perda esperada. É a referência que compras, produção, estoque e custos usam para falar do mesmo produto da mesma forma.

Na prática, ela responde a uma pergunta simples para cada unidade produzida: o que precisa sair do almoxarifado para que esse item fique pronto? Compras, produção, estoque e custos usam essa resposta como referência.
Ela também tira o conhecimento da cabeça de quem produz. Se a quantidade certa de cada material só existe na memória do encarregado, o resultado varia quando ele não está na fábrica.
Este guia trata da ficha técnica de fabricação, o cadastro interno da indústria. A ficha comercial, publicada em catálogo ou marketplace com medidas e características para o comprador, tem outro objetivo e outro público, e costuma reaproveitar só parte desses dados.F
Para aprofundar, vale entender como a ficha técnica se organiza em níveis e o nome que ela recebe nos sistemas de gestão.
Estrutura de produto é a ficha técnica organizada em níveis, do item acabado até a matéria-prima comprada. Em sistemas de gestão, ela aparece com a sigla BOM, de bill of materials, que em português vira lista de materiais.
Em muitos ERPs, a BOM é a parte da ficha técnica que guarda a lista de materiais, e o nome e o escopo de cada cadastro variam de um sistema para outro.
Na convenção usada neste guia, o nível 0 é o produto que vai para o cliente. O nível 1 reúne os subconjuntos fabricados dentro de casa e os componentes que entram direto na montagem final. O nível 2 em diante traz o que compõe cada subconjunto, até chegar ao item comprado de fornecedor, que não se desdobra mais.
Essa divisão tem efeito prático. Um subconjunto com ficha própria pode ser produzido em lote separado, estocado e usado em mais de um produto final.
Quando o mesmo granel de shampoo é envasado em frascos de 300 ml e de 1 litro, por exemplo, a fábrica mantém uma ficha só para ele, e qualquer mudança na fórmula chega aos dois tamanhos de uma vez.
A ficha técnica serve para transformar uma quantidade de produto em uma quantidade exata de material, tempo e dinheiro. Com ela, a fábrica sabe o que comprar, o que separar para cada ordem, quanto deveria ter consumido e quanto cada unidade custa antes de vender.
Em compras, ela é a base do cálculo. O MRP multiplica a quantidade planejada no plano mestre de produção por cada linha da ficha, desconta o estoque e as compras já em andamento e gera a sugestão de compra com data, respeitando o prazo de reposição. Se a ficha estiver errada, o cálculo inteiro herda o erro.
No chão de fábrica, a ficha define o que o almoxarifado entrega para cada ordem de produção. A requisição de materiais sai com as quantidades da ficha multiplicadas pelo lote, e a empresa pode exigir justificativa para qualquer retirada além disso.
Com o consumo apontado por ordem, a perda fora do padrão aparece no dia em que acontece, antes de virar diferença no inventário do fim do mês.
Em custos e preço, a ficha alimenta o custo de produção de cada item e, a partir dele, a precificação de produtos.
Na qualidade, ela garante que o produto feito no turno da noite leve os mesmos materiais do turno da manhã, e permite rastrear qual lote de insumo foi parar em qual lote de produto acabado.
O contexto de 2026 reforça esse controle. Na Sondagem Industrial do segundo trimestre, a falta ou o alto custo de matéria-prima foi o segundo maior problema da indústria, citado por 31,2% dos empresários, segundo a CNI. Com insumo caro, cada grama que a ficha não prevê sai direto da margem.

A ficha técnica diz o que entra no produto, a especificação técnica diz como o produto pronto precisa ser, e o roteiro de produção diz como, onde e em quanto tempo ele é feito. Os três documentos se complementam, mas cada um responde a uma pergunta diferente e tem usuários principais diferentes.
Muitas empresas chamam os três de “ficha técnica” e guardam tudo no mesmo arquivo. Em operações simples, isso dá conta.
Com muitas variações de produto, misturar os três atrapalha: uma mudança de tolerância obriga a abrir o mesmo documento que compras usa, e a troca de uma máquina gera nova versão de um arquivo que nem trata de materiais.
| Critério | Ficha técnica | Especificação técnica | Roteiro de produção |
|---|---|---|---|
| Pergunta que responde | O que entra no produto e em que quantidade? | Que requisitos o produto pronto precisa cumprir? | Em que sequência, em qual recurso e em quanto tempo ele é feito? |
| Conteúdo típico | Materiais, componentes, embalagens, quantidade, unidade, perda | Dimensões, tolerâncias, composição, desempenho, acabamento | Operações, máquinas ou centros de trabalho, tempo de preparação, tempo por unidade |
| Quem mais usa | Compras, almoxarifado, PCP, custos | Engenharia, qualidade, cliente, fornecedor | PCP, produção, engenharia de processos |
| O que alimenta | MRP, requisição de material, custo de material | Inspeção e aprovação do produto | Capacidade, programação, custo de conversão |
O roteiro de produção resolve uma dúvida que divide até os concorrentes deste tema: mão de obra entra ou não na ficha técnica? Na lista de materiais, normalmente não.
Tempo de operador e de máquina fica no roteiro, e o custo do produto nasce da soma dos dois. Se o ERP usa uma ficha integrada, com materiais e operações juntos, vale conferir a regra de custeio para a mão de obra entrar uma vez só.
Essa separação evita contar a mesma coisa duas vezes. Se a ficha já tiver uma linha de “mão de obra” e o roteiro também calcular o tempo de cada operação, o custo sai inflado e o preço perde competitividade sem ninguém perceber de onde veio a diferença.
Uma ficha técnica de produto deve conter a identificação do item, a lista de materiais com quantidade líquida, unidade e percentual de perda, a quantidade bruta que sai do estoque e o controle de versão. Informações de apoio, como tolerâncias e cuidados de armazenagem, entram quando o processo depende delas.
O que define se um campo é obrigatório é o uso que a fábrica faz dele. Se compras calcula necessidade pela ficha, quantidade bruta e unidade de medida não podem faltar. Se custos forma preço a partir dela, o custo de cada material precisa estar atualizado.

O cabeçalho reúne código do produto, descrição padronizada, unidade de medida de estoque, lote padrão de fabricação, número de revisão e data de vigência. Quando a ficha fica no mesmo cadastro do produto, entram também dados fiscais como a NCM.
Esses dados vêm do cadastro de produtos e precisam ser idênticos aos dele, ou a ficha passa a descrever um item que o sistema não reconhece.
O lote padrão merece atenção. Ele é a quantidade que a fábrica costuma produzir de uma vez e define como o tempo de preparação das máquinas é dividido entre as unidades. O mesmo produto tem custo diferente em lotes de 500 e de 2.000, como o exemplo mais abaixo mostra.

Cada linha da lista traz código, descrição, tipo de item, quantidade por unidade do produto, unidade de medida e percentual de perda. Embalagem, consumíveis e itens de baixo valor que precisam ser planejados também entram: rótulo, grampo e ponteira plástica custam pouco por unidade, mas faltam do mesmo jeito quando ninguém os compra.
A distinção técnica mais importante da lista é entre quantidade líquida e quantidade bruta. Quantidade líquida é o que fica incorporado no produto pronto. Quantidade bruta é o que precisa sair do almoxarifado para chegar à líquida, contando aparas, cavaco, sobra de ponta e refugo de processo.
Quem compra pela líquida compra sempre menos do que consome. Um disco de compensado de 35 cm de diâmetro tem 0,096 m², mas é cortado de um quadrado de 0,1225 m². Nesse arranjo de corte, os 21,5% de diferença viram sobra e precisam estar na ficha, ou a falta aparece no meio do lote.

Perda planejada é o percentual de material que o processo descarta de forma normal e previsível, registrado na ficha para que a quantidade bruta já inclua esse descarte. Ela é diferente da perda por falha, que vem de erro de operador, defeito de matéria-prima ou máquina desregulada e deve ser apontada à parte.
Misturar as duas esconde problema. Se a fábrica aumenta a perda planejada da tinta para 30% porque “sempre sobra pouco”, a ficha passa a aceitar como normal um desperdício que deveria ser investigado. O controle de perdas na produção só funciona quando o padrão da ficha reflete o processo bem regulado.

Tolerâncias, condições de armazenagem, validade do insumo e cuidados de manuseio entram como observação quando afetam o consumo ou a qualidade. Uma resina que absorve umidade, por exemplo, pode exigir secagem antes do uso, e a ficha que omite isso abre espaço para perda que ninguém consegue explicar depois.
Quando essas informações crescem a ponto de virar um documento próprio, elas migram para a especificação técnica, e a ficha passa a apenas apontar para ela pelo código e pela revisão.
Quando a perda é medida sobre o material que entra no processo, que é o caso mais comum, a quantidade bruta se calcula dividindo a quantidade líquida por um menos o percentual de perda.
Com 20% de perda, 1 kg líquido exige 1,25 kg brutos, acima do 1,2 kg que a conta intuitiva sugere. A diferença parece pequena e cresce rápido com perdas maiores.
Quantidade bruta = quantidade líquida ÷ (1 − perda)
O erro intuitivo é pensar que 20% de perda significa comprar 20% a mais. Só que a perda é medida sobre o que entrou no processo, e não sobre o que saiu. Se entram 1,2 kg e o processo perde 20% disso, saem 0,96 kg, e a peça que precisava de 1 kg fica sem material.
| Perda do processo | Necessidade líquida | Multiplicando por (1 + perda) | Dividindo por (1 − perda) | Material que falta no lote |
| 5% | 1.000 kg | 1.050 kg | 1.053 kg | 3 kg |
| 10% | 1.000 kg | 1.100 kg | 1.111 kg | 11 kg |
| 20% | 1.000 kg | 1.200 kg | 1.250 kg | 50 kg |
| 25% | 1.000 kg | 1.250 kg | 1.333 kg | 83 kg |
Com 5% de perda, a diferença cabe em qualquer estoque mínimo. Na pintura a pó sem recuperação, no corte de disco a partir de chapa quadrada ou no corte de tecido, onde a perda passa de 20%, o lote para por falta de material, e a compra de urgência custa mais caro que a diferença.
Vale fazer duas ressalvas. A primeira: multiplicar por um mais a perda só está certo quando a empresa define o percentual como acréscimo sobre a quantidade líquida, e a ficha precisa dizer qual das duas bases usa.
A segunda: perdas fixas por lote, como o resíduo que fica no reator ou na tubulação, se comportam melhor como quantidade por lote do que como percentual.
Na indústria de alimentos, a mesma conta tem outro nome. O fator de correção é o peso bruto dividido pelo peso líquido do ingrediente, e já embute a divisão: uma cebola com 15% de casca e aparas tem fator de correção de 1,18, porque 1 ÷ 0,85 = 1,18.
Para fazer uma ficha técnica de produto, parta do produto acabado, desmonte-o em subconjuntos e materiais, meça a quantidade líquida de cada um, registre a perda real do processo, calcule a quantidade bruta e valide tudo em um lote piloto antes de liberar.
A ordem importa, porque não dá para calcular a quantidade bruta antes de conhecer a quantidade líquida e a perda real.

O caminho abaixo vale para a primeira ficha de um produto novo e também para refazer fichas antigas que perderam a confiança da fábrica.
1. Feche a definição do produto. Reúna desenho, especificação técnica, embalagem e variações de cor ou tamanho. Se o produto ainda está mudando, a ficha vai mudar junto, e o retrabalho de cadastro se repete a cada versão.
2. Desmonte o produto em níveis. Separe o que é fabricado dentro de casa (subconjunto, com ficha própria) do que é comprado pronto. Cada item que pode ser comprado, estocado ou produzido separadamente recebe código próprio.
3. Meça a quantidade líquida. Pese, meça ou conte o que fica no produto pronto, com instrumento calibrado. Estimativa “de cabeça” é a origem mais comum de ficha que nunca fecha com o estoque.
4. Levante a perda real de cada material. Use o histórico de requisições e apontamentos de pelo menos alguns lotes. Na falta de histórico, acompanhe um lote e meça a sobra de cada processo.
5. Calcule a quantidade bruta e confira as unidades. Divida a líquida por um menos a perda e garanta que a unidade da ficha é a mesma da compra ou que existe conversão cadastrada (metro para barra de 6 m, quilo para bobina).
6. Associe o roteiro e o custo. Ligue a ficha às operações do roteiro e aos preços atuais dos materiais para chegar ao custo unitário completo.
7. Valide em lote piloto e libere com número de revisão. Separe exatamente o que a ficha manda, produza o lote e confira se sobrou ou faltou material. Só então a ficha recebe a revisão A e passa a valer para compras e produção.
O sétimo passo merece atenção especial. Sem lote piloto, a ficha entra em vigor com erro, e a primeira pessoa a descobrir é o operador, quando o material acaba antes da última peça.
O exemplo a seguir mostra a ficha técnica completa de um shampoo de 300 ml, com o granel como subconjunto, perdas, roteiro e custo unitário de R$ 4,46 em lote de 2.000 frascos.
Formulação, densidade, preços, perdas e tempos são hipotéticos e servem para demonstrar o cálculo, não como formulação cosmética a ser fabricada. Uma fórmula real é definida e validada pelo responsável técnico.
A fábrica do exemplo vende 150 mil frascos por mês, a R$ 9,90 por unidade líquidos de impostos, o que soma cerca de R$ 1,5 milhão de receita líquida por mês, ou 75 lotes de 2.000 frascos.
O shampoo tem um subconjunto fabricado internamente, o granel, que é o produto antes do envase, e quatro itens de embalagem que entram direto na montagem final.
Cada frasco leva 0,306 kg de granel, porque 300 ml de shampoo com densidade de 1,02 pesam esse tanto, e cada ingrediente entra com o percentual da fórmula vezes esse peso.
O lauril éter sulfato aparece como solução comercial com 27% de ativo, que é como ele é comprado. A perda de 3% representa toda a sobra até o granel ficar pronto (reator, tubulação e amostras) e, para simplificar, é aplicada a cada ingrediente. O custo de cada linha é a quantidade bruta vezes o preço de compra.
| Nível | Código | Descrição | Qtd. líquida | Unid. | Perda | Qtd. bruta | Preço (R$) | Custo (R$) |
| 0 | PA 3300 | Shampoo hidratação 300 ml | 1 | un | 3,2941 | |||
| 1 | SC 330 | Granel shampoo hidratação | 0,306 | kg | 1,1398 | |||
| 2 | MP 501 | Água deionizada (80,4%) | 0,24602 | kg | 3% | 0,25363 | 0,05 | 0,0127 |
| 2 | MP 502 | Lauril éter sulfato de sódio 27% (12%) | 0,03672 | kg | 3% | 0,03786 | 9,50 | 0,3596 |
| 2 | MP 503 | Cocoamidopropil betaína (4%) | 0,01224 | kg | 3% | 0,01262 | 12,00 | 0,1514 |
| 2 | MP 504 | Cloreto de sódio (1,5%) | 0,00459 | kg | 3% | 0,00473 | 2,50 | 0,0118 |
| 2 | MP 505 | Pantenol (0,5%) | 0,00153 | kg | 3% | 0,00158 | 120,00 | 0,1893 |
| 2 | MP 506 | Fragrância (0,5%) | 0,00153 | kg | 3% | 0,00158 | 180,00 | 0,2839 |
| 2 | MP 507 | Fenoxietanol, conservante (0,8%) | 0,00245 | kg | 3% | 0,00253 | 45,00 | 0,1137 |
| 2 | MP 508 | Ácido cítrico (0,2%) | 0,00061 | kg | 3% | 0,00063 | 15,00 | 0,0094 |
| 2 | MP 509 | EDTA dissódico (0,1%) | 0,00031 | kg | 3% | 0,00032 | 25,00 | 0,0080 |
| 1 | EM 601 | Frasco PET 300 ml | 1 | un | 1% | 1,0101 | 1,10 | 1,1111 |
| 1 | EM 602 | Tampa flip-top | 1 | un | 1% | 1,0101 | 0,45 | 0,4545 |
| 1 | EM 603 | Rótulo autoadesivo | 1 | un | 3% | 1,0309 | 0,28 | 0,2887 |
| 1 | EM 604 | Caixa de embarque com 12 frascos | 0,0833 | un | 0% | 0,0833 | 3,60 | 0,3000 |
O custo de material do frasco é R$ 3,29: R$ 1,14 de granel e R$ 2,15 de embalagem. O custo do subconjunto é a soma dos ingredientes dele. Como os 3% já cobrem todas as perdas até o granel, aplicar outra perda sobre o granel inteiro contaria o mesmo descarte duas vezes.
Repare que a embalagem custa quase o dobro da fórmula, e só o frasco responde por um terço do material. Neste exemplo, o maior risco de custo está fora do reator. A caixa de embarque também mostra uma regra útil: item que atende várias unidades entra como fração, aqui 1/12 por frasco.
O roteiro traz as operações em sequência, o recurso onde cada uma acontece, o tempo de preparação do lote e o tempo por unidade. O custo-hora de cada centro de trabalho já soma mão de obra com encargos e os custos indiretos rateados para aquele recurso.
| Operação | Centro de trabalho | Preparação do lote (min) | Tempo por unidade (min) | Minutos por unidade no lote de 2.000 | Custo-hora (R$) | Custo por unidade (R$) |
| 10 Pesagem das matérias-primas | Sala de pesagem | 20 | 0,05 | 0,060 | 70 | 0,0700 |
| 20 Fabricação do granel | Reator de 1.000 L | 60 | 0,10 | 0,130 | 160 | 0,3467 |
| 30 Análise de qualidade do granel | Laboratório | 45 | 0,01 | 0,033 | 120 | 0,0650 |
| 40 Envase e tampagem | Envasadora | 40 | 0,12 | 0,140 | 180 | 0,4200 |
| 50 Rotulagem e codificação de lote | Rotuladora | 20 | 0,06 | 0,070 | 140 | 0,1633 |
| 60 Encaixotamento | Bancada de embalagem | 5 | 0,10 | 0,103 | 60 | 0,1025 |
| Total | 190 | 0,44 | 0,535 | 1,1675 |
A coluna de minutos por unidade divide a preparação pelo lote e soma o tempo de cada frasco. No reator, os 60 minutos de preparação e limpeza divididos por 2.000 frascos acrescentam 0,03 minuto a cada um. Parece pouco, mas a preparação responde por 0,095 dos 0,535 minuto do roteiro, quase um quinto do tempo total.
O custo industrial estimado soma o material da ficha, que é custo direto, com a conversão do roteiro. A tabela compara o lote padrão de 2.000 frascos com um lote menor, de 500.
| Componente do custo | Lote de 2.000 (R$) | Lote de 500 (R$) |
| Material (ficha técnica) | 3,29 | 3,29 |
| Conversão (roteiro) | 1,17 | 1,84 |
| Custo unitário | 4,46 | 5,13 |
Com o preço de R$ 9,90, o lote de 2.000 deixa margem de 54,9% sobre material e conversão, antes de despesas comerciais e administrativas.
Em lotes de 500, os 190 minutos de preparação se dividem por menos frascos, e o custo sobe R$ 0,67 por unidade, 15% a mais sem nenhum ingrediente a mais. É por isso que o lote padrão faz parte do cabeçalho da ficha.
Esse custo é o ponto de partida para a margem de contribuição de cada produto. Sem ficha e roteiro, a empresa sabe a margem da fábrica inteira, mas não sabe quais itens a sustentam e quais a corroem.
Uma ficha técnica desatualizada continua calculando o custo antigo enquanto a fábrica paga o custo novo, e a diferença sai da margem sem aparecer em nenhum relatório. Os três cenários abaixo partem do mesmo shampoo e mostram quanto cada desvio custa em um mês de 150 mil frascos.
| Cenário | Efeito por unidade (R$) | Efeito no mês (R$) | Onde o erro aparece |
| Tensoativo (lauril éter sulfato) sobe 20% e o preço da ficha não é atualizado | 0,07 a mais de custo real | 10.789 | Margem real abaixo da calculada |
| Perda real do granel passa de 3% para 6% sem ninguém revisar | 0,04 a mais de custo real | 5.457 | Granel que acaba antes do último frasco do lote |
| Caixa de embarque cadastrada como 1 por frasco, e não 1/12 | 3,30 a mais de custo calculado | 495.000 de custo calculado a maior | Produto parece dar margem de 21,6%, o que pode levar a uma decisão de preço errada |
Os dois primeiros desvios juntos levam o custo real para R$ 4,57 e a margem de 54,9% para 53,8%. Por frasco, é pouco; no mês, são R$ 16 mil.
O terceiro faz o caminho inverso: infla o custo no papel, e a empresa pode subir o preço de um produto que já era rentável. Esse aparece em uma conferência atenta da ficha. Os outros dois só aparecem quando a empresa compara o consumo apontado com o padrão e o preço pago com o cadastrado.
A ficha técnica de alimentos segue a mesma lógica da ficha industrial, com três ajustes: o fator de correção no lugar da perda, o índice de cocção para o que muda de peso no preparo e o rendimento em porções. É a ficha usada por indústrias de alimentos, cozinhas industriais e restaurantes.
O fator de correção compara o peso bruto do ingrediente com o peso aproveitado depois de limpar, descascar ou desossar. O índice de cocção é o peso depois do preparo dividido pelo peso cru: em geral, carnes ficam abaixo de 1 e arroz e massas acima. Com os dois, a ficha chega ao rendimento real.
Na indústria de alimentos, a ficha técnica também precisa conversar com o controle de lote e validade e com a rotulagem, porque a composição declarada na embalagem sai da formulação cadastrada.
Uma mudança de fornecedor de ingrediente pode exigir revisão da ficha e do rótulo ao mesmo tempo, depois da avaliação do controle de qualidade e da área regulatória.
Um erro frequente, e caro, é a unidade de medida que não conversa com a compra. A ficha registra a fragrância em quilos, o fornecedor vende bombonas de 25 kg e a sala de pesagem trabalha em gramas. Sem conversão cadastrada, os 1,58 g por frasco viram 1,58 kg na separação, ou zero na sugestão de compra.
Outro é o item de baixo valor esquecido. Arame de solda, grampo, etiqueta e fita de embalagem raramente estão na primeira versão da ficha. Como não entram no cálculo de necessidade, ninguém compra, e a linha para por falta de um material de centavos.
Outro erro recorrente é usar a mesma ficha para variações diferentes do produto. O shampoo de 300 ml e o de 1 litro usam o mesmo granel, mas não o mesmo frasco, a mesma tampa nem a mesma quantidade de fórmula. Quando uma ficha serve para as duas, o estoque dos dois modelos fica errado ao mesmo tempo.
Também é comum alterar a ficha sem registrar a revisão. O engenheiro troca a espessura do tubo, o custo cai, e meses depois ninguém sabe dizer por que o lote antigo consumiu mais aço. Sem histórico, a rastreabilidade de produtos perde a referência de qual estrutura valia em cada data.
Por fim, há a ficha que nunca é comparada com o consumo real. Ela pode ter nascido certa e continuar no sistema mesmo depois que o processo mudou. O sintoma é a acuracidade de estoque caindo item por item, sempre nos mesmos materiais.

A ficha técnica deve ser revisada sempre que mudar material, fornecedor, espessura, ferramenta, processo ou perda medida, e cada revisão precisa de número e data de vigência. Além disso, vale uma conferência periódica dos itens de maior custo, porque preço e perda mudam sem que ninguém peça revisão.
O controle de versão funciona com regra simples: a ficha em vigor é a única que gera requisição e custo, e a anterior fica guardada com a data em que deixou de valer.
Em regra, ordens já abertas terminam com a revisão em que começaram, para que o consumo apontado seja comparado com o padrão certo. Mudanças críticas, como a troca de um material por questão de qualidade, seguem um procedimento próprio para as ordens em andamento.
A conferência periódica cruza três números por material: o consumo previsto pela ficha, o consumo apontado nas ordens e o resultado do inventário de estoque.
Quando os três se mantêm coerentes por vários lotes, a ficha está aderente. Quando o apontado se afasta do previsto, a revisão é na ficha ou no processo, e a investigação começa por ali.
Em fábricas com centenas de itens, essa conferência não precisa ser total. Os materiais que somam a maior parte do custo, como o frasco do shampoo, que responde por um terço do material, merecem atenção mensal. Os de baixo valor podem ser conferidos a cada trimestre.
A planilha funciona para montar e validar as primeiras fichas, e o ERP passa a ser necessário quando a ficha precisa gerar requisição, baixar estoque e comparar o consumo real com o padrão em cada ordem. A diferença está no que acontece depois que a ficha fica pronta.
Na planilha, a ficha calcula quantidade bruta e custo, mas não conversa com o estoque nem com a ordem de produção. Cada mudança de preço precisa ser digitada à mão, cada lote exige copiar as quantidades para outra planilha, e duas versões do mesmo arquivo podem circular na fábrica ao mesmo tempo sem que ninguém perceba.
No ERP, a ficha vira o cadastro que o sistema usa em toda a operação. Conforme a parametrização, os insumos são reservados ao abrir a ordem, e o apontamento de produção baixa o consumo do estoque e mostra onde o real se afastou do previsto.
O cadastro de ficha técnica do ERP WebMais centraliza insumos, quantidades e etapas de cada produto, ligados ao estoque e à produção. Uma mudança de material feita na ficha passa a valer nas próximas ordens sem ninguém redigitar planilha.

Na ficha acima, a fórmula base do shampoo fecha em 1 kg com cinco insumos, cada um com código, unidade e quantidade, e traz hora máquina e mão de obra como linhas da própria ficha. É o caso da ficha integrada citado antes: materiais e operações no mesmo cadastro, com o custeio contando cada recurso uma vez só.
A ficha técnica de produto define o que a fábrica compra, separa, consome e cobra por cada item. Bem montada, com quantidade bruta calculada pela divisão, perda real medida, roteiro separado e versão controlada, ela fecha com o estoque e com o custo. Desatualizada, ela erra em silêncio, e o erro só aparece na margem.
O ganho maior vem quando a ficha deixa de ser um documento consultado e passa a mover a operação, sem depender de alguém copiar quantidades de um arquivo para outro.
No ERP WebMais para indústria, a mesma ficha que define o produto abre a ordem de produção, reserva o material, baixa o estoque no apontamento e mostra o desvio entre o previsto e o real, conectando produção, compras, estoque e financeiro em uma base só.
Se a sua fábrica ainda cruza planilhas para saber quanto um produto custa, vale ver esse fluxo funcionando com um item seu. Agende uma demonstração gratuita do ERP WebMais e leve uma ficha técnica real para a conversa.


É o documento que lista todos os materiais e componentes usados para fabricar uma unidade de um item, com quantidade, unidade de medida e perda esperada. Ela é a base para compras, separação de material, controle de estoque e cálculo de custo.
A ficha técnica diz o que entra no produto e em que quantidade. A especificação técnica define os requisitos que o produto pronto precisa cumprir, como dimensões, tolerâncias e desempenho. As duas precisam estar alinhadas: o processo descrito pela ficha tem de entregar o que a especificação exige.
Na lista de materiais, normalmente não. O tempo de operador e de máquina fica no roteiro de produção, e o custo do produto soma os dois. Em ERP com ficha integrada, mão de obra e hora máquina podem entrar como linhas da ficha, desde que não sejam contadas de novo no roteiro.
Divida a quantidade líquida por um menos o percentual de perda. Com 0,12 kg líquidos de tinta e 20% de perda, a quantidade bruta é 0,12 ÷ 0,80 = 0,15 kg. Multiplicar por 1,20 daria 0,144 kg e deixaria o lote sem material no fim.
Sempre que mudar material, fornecedor, ferramenta, processo ou perda medida, com número de revisão e data de vigência. Fora isso, vale conferir todo mês os itens de maior custo e a cada trimestre os de baixo valor, comparando o previsto, o apontado e o inventário.
O exemplo do shampoo de 300 ml deste guia serve de modelo: cabeçalho, estrutura em níveis com perda e quantidade bruta, roteiro com tempo de preparação e custo unitário. Basta reproduzir as mesmas colunas e trocar os dados pelos do seu produto.
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